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[ Read Online A Sibila ò rabat PDF ] by Agustina Bessa-Luís ✓ Siblia era uma profetiza na Antiguidade Cl ssica Um grupo de mulheres que se reuniam no Or culo dos Delfos para aconselharem pessoas poderosas Grandes reis pediam conselhos as Siblias de modo a evitar grandes trag dias.
Neste livro de Bessa Lu s, a Sibilia toma forma de duas mulheres de gera es diferentes A primeira Quina, uma mulher independente que consegue fortuna sem nenhum homem as suas costas As pessoas a chamam Sibilia e pedem conselho para as suas ang stias A segunda Germa, uma mulher com mente aristocrata que desde cedo diferenciou se das outras Esta obra feita maioritariamente de mulheres, sendo raras as interven es masculinas As figuras masculinas mais marcantes s o Francisco pai de Quina e seu grande amigo , Abel amigo ntimo de Quina e Cust dio grande paix o da Sibilia, mas vista por ele como uma m e um livro de as, desas, de vida e morte Uma conex o m stica Um romance de la os e enlaces Quando uma escritora estrangeira perguntou a Agustina Bessa Lu s, numa confer ncia internacional, a sua obra assim mais ou menos como o qu Para me situar , esta respondeu lhe assim mais ou menos como o Dostoievsky E, por muito insolente que possa parecer a afirma o, percebe se a semelhan a cen rios descritos com uma vivacidade fulminante e a natureza humana retratada nos seus aspetos mais ntimos Em S bila n o h personagens boas ou m s H personagens, como todos os seres humanos, com instintos, ao mesmo tempo, bondosos e medonhos Perante a mesma pessoa surgem sensa es de amor e de dio de venera o e desprezo Foi o primeiro livro que li da Agustina certamente o primeiro de muitos Quina No fundo o seu misticismo era humanista era ainda uma revolta, a rebeli o audaciosa e admir vel da sua ignor ncia Ela era, de resto, a mais profunda e ineg vel express o do humano A voca o para ultrapassar o humano est em todos n s, assim como a tenta o para o med core.
A Sibila Um Romance De Agustina Bessa Lu S Sibila, Que Remete Para A Figura Cl Ssica DA Sibila De Delfos, Significa Adivinha E Refere Se Personagem Joaquina Teixeira, A QuinaO Livro N O Se Atreve A Narrar A Hist Ria Do Nascimento Morte Da Protagonista, Mas Conta A Vida De Duas Gera Es Anteriores Da Fam Lia Teixeira E Duma Posterior E Ainda De Outras Fam Lias E Amigos Pr Ximos Desta Narra Conspira Es, Corrup Es E Intrigas De Parentes, Criados, Amigos E InimigosDe Passagem Ocorrem Cr Ticas Burguesia Rural, Mas No Romance Avulta Sobretudo Uma Reflex O Sobre A Dimens O Metaf Sica Do Ser HumanoQuina N O Tinha Poderes Sobrenaturais, Era Apenas Atilada E Pr Tica Conselheira Ningu M Da Sua Igualha A Tratava Por Sibila Morreu Velha E Doente, Mas Orgulhosa Da Casa Que Salvara Da Fal Ncia E Da Fortuna Que AmealharaA Hist Ria Come A E Termina Com Germa, Sua Sobrinha, Filha Do Irm O Abel, Que Representa Uma Gera O J Urbana, Desenraizada Dum Espa O A Que Quina Sempre Se Sentira Presa As primeiras p ginas, de A Sibila 1954 , desanimam a leitura, n o parece um livro escrito em pleno s culo XX, recorda a escrita entrela ada do in cio do s culo XIX que colada ruralidade nacional apela inevitavelmente a Almeida Garrett Cada frase surge trabalhada num detalhe e labor minuciosos, que provocam uma quebra na leitura, n o apenas porque exigem foco e aten o, mas porque clamam sobre si import ncia e isolamento do todo Eduardo Louren o falou em neo romantismo 1 , tendi a concordar, j que se socorre da forma rom ntica de sobrecarregar as descri es com detalhe, impedindo o acesso imediato ao que se conta, mas f lo numa dimens o de atualidade, ainda que sobre uma realidade rural Por isso senti que existia aqui algo distinto, n o se tratava de mero romantismo, nem neo romantismo, da a dificuldade que a cr tica tem tido no rotular da obra 2 Repare se como em oposi o, Vitorino Nem sio com Mau tempo no Canal 1944 , apenas uma d cada antes e tamb m colado ao romantismo do s culo anterior, n o se consegue desprender dos seus tiques , deslumbrando se com a sua po tica, da qual Agustina claramente se afasta N o que me surpreenda, Nem sio foi um acad mico que escreveu um nico romance, experimentou o modelo que tanto estudou, j Agustina uma escritora que escreveria mais de cinquenta, em busca do definir da sua pr pria voz imagem quebra propositadamente a fluidez do contar de hist rias, obrigando a uma leitura racional em vez de emocional Agustina nunca embeleza o texto, nem o ritmo, nunca procura a emo o do leitor, que aquilo que Nem sio tanto objetiva, a marca impressiva de todo o Romantismo, no entanto tendo em conta o virtuosismo da escrita da autora, isso estava claramente ao seu alcance Por outro lado, essa quebra criada n o almeja mera subvers o narrativa, Agustina n o destr i sentido, n o fragmenta o fio narrativo nem nodifica os seus personagens, apesar de buscar a racionalidade t o cara ao modernismo No entanto, os seus personagens s o psicologicamente povoados, o realismo est presente com todo o seu savoir faire Ou seja, Agustina constr i uma mescla entre romantismo, usando os largos caudais de detalhe, o modernismo, afastando o sentimento de cena, e o realismo, por via da ci ncia do sentir humano.
Sinopse No norte de Portugal, em finais do s culo xix, na propriedade da Vessada, h j muito tempo que s o as mulheres que, perante a indol ncia e os sonhos de evas o que os homens alimentam, asseguram como podem a gest o da propriedade Quina era uma adolescente franzina e inculta, que desde cedo participava nos trabalhos do campo ao lado dos trabalhadores Com a morte do pai, com a propriedade quase em abandono, Quina passa a ter que ter uma ainda maior responsabilidade na administra o da mesma Gra as ao seu esfor o a todos os n veis, come a a acumular de novo a riqueza que seu pai desperdi ara, o que lhe vale a admira o da sociedade Quina era uma pessoa l cida, astuta e sempre em demandas, o que faz com que esta se torne conhecida por Sibila Temos ent o uma obra distinta, n o admira o reconhecimento imediato por parte da comunidade de escritores e cr ticos portugueses Contudo, nada disto torna o texto mais f cil uma leitura que requer aten o e dedica o Sendo um livro pequeno, 250 p ginas, acaba consumindo nos tanto como um livro com o dobro das p ginas Acredito que se avisado, o leitor consiga dele extrair tudo o que tem para dar Nesse sentido, um excelente livro para trabalhar na escola, ainda que apenas nos anos finais do liceu, ou primeiros anos universit rios, dada a exig ncia Para os que defendem que a leitura deve ser apenas prazerosa, e que estes livros afastam os alunos da escola e da leitura, recordo que no caso de quem segue as ci ncias foi o meu caso ningu m defende que o c lculo da derivada de uma fun o matem tica ou da energia cin tica na F sica, devem ser prazerosas A escrita um processo, um labor, e como tal deve ser estudada e compreendida nas suas diversas possibilidades, nomeadamente naquelas que o estudante sozinho tenderia a desconsiderar.
Para os mais impacientes, posso dizer que a primeira parte mais descritiva, t pica do in cio do realismo, quase naturalismo, com Agustina a contextualizar todo o porvir da protagonista, Quina, o seu ecossistema espacial, familiar e condi es psicol gicas Muitas personagens s o introduzidas, cada uma com os seus detalhes, o que provoca algum desespero, e quase me fez desistir do livro, por o considerar arcaico No entanto, a meio do livro Quina, a Sibilia de Agustina, assume o centro da narrativa e o grande conflito apresenta se, conduzindo da em diante o enredo at moral final da obra Se na primeira parte o arca smo era mais aparente, na segunda parte compreendemos que esta n o uma obra qualquer, a densidade do que se apresenta fruto da forma de escrever nica 3 O que se conta n o extraordin rio, mas o modo como se conta singular, e por isso Agustina Bessa Lu s ser sempre uma das grandes vozes das letras nacionais.
Refer ncias 1 Agustina Bessa Lu s ou o neo romantismo , Col quio Revista de Artes e Letras , n 26, Lisboa, Funda o Calouste Gulbenkian, Dezembro de 1963, pp 43 52 CS , 2 A Sibila, de Agustina Bessa Lu s, in PasseiWeb, 3 A Sibila, de Agustina Bessa Lu s, in RTP Ensina, no VI S o os esp ritos superficiais que mais cr em nos xitos retumbantes, nas formulas f ceis para vencer, pois isso lhes lisonjeia a incapacidade e a fraqueza da vontade Os lances engenhosos, em que se torce a moral para obter um mais r pido efeito, conseguem grande p blico Mas a vida, cujas leis s o infinitamente mais s brias, mais puras do que as dos homens, n o os aceita.
N o gosto de desistir dum livro Sobretudo dum livro que recebeu pr mios, duma autora portuguesa conceituada, de quem ainda n o tinha lido nenhuma obra.
Tenho, at , alguma dificuldade em perceber e explicar duma forma objectiva as raz es pelas quais decidi deix lo, j quase a meio.
A escrita , em geral, boa, rica e elaborada, com muitas palavras dif ceis Isto normalmente n o me assusta nem desanima, mas depois de passar as primeiras 100 p ginas a reler v rias vezes algumas frases que permaneceram incompreens veis exemplos nos updates e a ter a sensa o de que a autora ter ido procurar ao dicion rio palavras menos comuns para dar um ar erudito sua prosa, achei que n o valia o esfor o.
Outra coisa que n o gostei foi a falta duma hist ria propriamente dita S o nos apresentados in meros personagens, que giram volta da protagonista, Quina a ditA Sibila , a maioria familiares desta, e sobre os quais se contam epis dios mais ou menos interessantes mas que nunca chegaram a ser suficientemente desenvolvidos para me prenderem a aten o.
O nico personagem que me inspirou alguma simpatia foi Francisco Teixeira, o pai de Quina n o chegou Este foi o 1 livro de sucesso da Agustina e tb o 1 que eu li dela Fez me lembrar muito o universo dos Cem anos de Solid o do Gabriel Garcia Marquez, mas numa vers o mais feminina e portuguesa Muito bom.
Em honra de Agustina Bessa Lu s 1922 2019 Confesso que nunca havia lido Bessa Lu s, estava mais do que na hora de sanar esse delito, embora a conhecesse das colabora es frut feras no cinema com Manuel de Oliveira, das quais geraram pelo menos duas obras prima Francisca e Vale Abra o.
Escrito nos anos 50, A Sibila conta a est ria de uma mulher forte da primeira metade do s culo XX, solteira a vida toda, reergueu a fortuna da fam lia sozinha, o que d um tom todo especial quebra de estere tipos de g nero num livro escrito nos anos 50, quando Beauvoir ainda estava come ando a ser lida.
Dona de uma prosa escorreita e bem delineada n o h sequer uma raz o para que n o me aprofunde nos escritos da autora, nem que eu refute a marca de ser considerada uma das grandes autoras portuguesas do s culo XX e que criminosamente pouco editada no Brasil.


De vez em quando, acontece me ler um livro no qual perco o p Em rela o A Sibila , de Agustina Bessa Lu s, julguei me na emin ncia de me afogar A cerca de setenta p ginas do fim um livro pequeno, de 248 p ginas recuperei esse p , e tornou se um gosto nadar por estas guas Perguntei me, inclusive, o que se ter passado nas restantes p ginas para que lhes tivesse tamanho alheamento Pr ximo do fim identifiquei o factor em falta n 1 a converg ncia, a emin ncia de uma revela o, uma hist ria com a estrutura habitual facilitada, v , do g nero 1 problema 2 tentativa de resolu o 3 solu o Neste livro estende se sim a narra o da vida de uma fam lia do Minho penso que seja o Minho, devido a alguns elementos culturais que identifiquei vinho verde e filigrana entre os mais bvios Mas sem um problema, um mist rio, um segredo por desenvolver um simples not so simple, though relato de algumas gera es cujas viv ncias se deram sob o mesmo tecto esse o principal fio da meada, no livro a casa da Vessada, como nenhum outro Dando por mim a apreciar finalmente o livro logo quando estava prestes a findar se, identifiquei o factor em falta n 2, o que me impediu de segui lo com sofreguid o desde o in cio n o uma hist ria de amor, n o h , t opouco, amor em lado algum N o h , nesta obra, qualquer vest gio de amor rom ntico um relato um pouco cru dos afectos, como se estes estivessem sempre suspensos da utilidade que nos possam ter, do quanto estamos dispostos a darmos de n s, do que somos e do que queremos que os outros pensem que somos H amor, sim, mas um amor conturbado, ora devoto, ora despeitoso, ora amargurado por ser amor, ora orgulhoso de n o ser outra coisa qualquer Deixem me tentar explicar me melhor, num discurso bem mais b sico do que o da mestria fluida de Agustina.
O livro tem dois marcos temporais que eu tenha identificado o ano de recupera o da casa da Vessada, 1870, e a Implanta o da Rep blica, porque desaparecem dos carros a trac o animal os bras es Fora isto, o tempo algo demolidor, transversal, algo que mescla todos e que n o discrimina ningu m A hist ria n o tem um elo de liga o muito acentuado A passagem temporal algo t nue, contada como que algo percepcion vel Isto , ora a pessoa se sente nova e todos ao seu redor s o jovens, ora a pessoa ainda se sente nova e en rgica, mas todos ao seu redor j s o velhos, ora a pessoa j est velha e acabada e os restantes lhe parecem mais fortes A casa sofre algumas fases que acompanham o vigor de Quina, a personagem principal Primeiro totalmente destru da por um fogo, gravando se em seguida o ano de 1870 na varanda Em seguida Quina nasce, a propriedade come a a recuperar se e a prosperar discretamente Quina atinge a juventude com mais vitalidade que a m e e, tendo o pai falecido, assume naturalmente o rumo da propriedade imp e se lhe nesta poca que, pressupostamente, se encontra mais agu ada a sua capacidade de sibila , de vidente, de mulher do oculto, das intui es nas entrelinhas da vida Mas confesso que de vidente n o lhe vi muito Se calhar procurei literalmente esse dom quando, na realidade, se trata de mexeriquice de vizinhos, de cegos perante um elemento que v Penso que o seu cond o de bruxa apenas a sua intelig ncia l mpida por entre tolos, o seu conhecimento do outro que a faz sobrep r se lhe, conduzi lo, extrair lhe o que pretende Em Quina denoto uma certa pretens o, um certo desejo preemente de ser diferente dos outros, mais sensitiva, procurada para conselhos e rumos, livre para proferir desmandos No fundo, ela quer ser mais do que um adere o, dois bra os, suor, num mundo de homens, e vale se assim daquilo que temido em certas pocas combatido, noutras tolerado com o respeito do receio nas mulheres o sexto sentido, a adivinha o, a sensibilidade para prever desfechos, a esperteza feminina equiparada a feiti aria Nunca a vi a fazer mais do que umas rezas aos vizinhos, mas estes pr prios a apelidam de sibila , e ela gosta disso Com o amadurecimento, contudo, passa da vaidade quase apatia Torna se mais humilde, passa a reconhecer valores como a simplicidade for ada de quem vive bem mas n o quer ostentar que outrora lhe causavam esp cie Uma das minhas personagens favoritas Cust dio Lembrou me o Heathcliff de O Monte dos Vendavaiss Ali s, muito deste livro me recordou o Monte dos Vendavais, mas enquanto em A Sibila a natureza humana se agita nos sobressaltos da vida, na obra prima de Emily Bront agita se nas incongru ncias do amor Quando se aproxima do fim para mim, mera leitora torna se mais f cil de compreender, embora continue a primar pela complexidade Que princ pios moveram, afinal, esta personagem, esta Quina O que, na vida, lhe foi mais importante Apesar da sua luta por se impor, por ser diferente sem no entanto ofender, a que conven es incapaz de fugir A Sibila um romance complexo, dif cil de digerir Tive alguma ajuda ao adquiri lo na edi o da Guimar es Editores em segunda m o, porque todas as palavras dif ceis que s o a cinco por p gina vinham sublinhadas e com a respectiva defini o na margem, o que me permitiu l lo em tr s semanas em vez de tr s meses Arrastou se sempre, contudo, a impress o perturbadora de n o compreender a totalidade do que estava perante os meus olhos.
Penso que um dia o lerei de novo com a aten o sobre humana que dediquei s ltimas dezenas de p ginas , porque me sempre precioso ver uma mulher erguer se, com os seus defeitos e fraquezas inerentes, e vingar num meio de homens.
Voltarei, sim, a ler Agustina Bessa Lu s, quase certa de que encontrarei a mesma perspic cia, a mesma profundidade humana, em qualquer outro dos seus romances.
N o desgostei tanto como previra e n o gostei tanto quanto alguns vaticinaram.
J tinha lido este livro na escola, h 30 anos, e n o me tinha agradado Agora entendo a raz o A escrita bela, de forma espa ada, mas tamb m ca tica e tortuosa na sua estrutura As palavras caras parecem for adas nesta novela sobre uma certa burguesia portuguesa, devota das terras e arredada das letras, que t o bem conhe o Deixa um travo amargo Quina No fundo, o seu misticismo era humanista era ainda uma revolta, a rebeli o audaciosa e admir vel da sua ignor ncia Ela era, de resto, a mais profunda e ineg vel express o do humano.