Trailer ò Manhã Submersa PDF by Í Vergílio Ferreira globalintertrade.co.uk

Trailer ò Manhã Submersa PDF by Í Vergílio Ferreira Estranho poder este da lembran a tudo o que me ofendeu me ofende, tudo o que me sorriu sorri mas, a um apelo de abandono, a um esquecimento real, a bruma da dist ncia levanta se me sobre tudo, acena me como o que n o alegre nem triste mas apenas comovente D i me o que sofri e recordo, n o o que sofri e evoco Da distin o, o texto l cido de VF exorta a submers o no seu pa s triste, intimidante mesmo como mera lembran a, todo este crescimento depois descrevendo nos a manh que foi a g nese de toda uma gera o, ainda viva hoje Neste sentido, o texto torna se cruel n o obstante os momentos de interroga o existencial e at de hilaridade, paralelos no seu realismo no retrato cru de uma experi ncia incomum que toda uma familiaridade se apresenta ao leitor nem boa nem m mas genu na, e presente De novo o conceito mem ria , e todo o esfor o impl cito, consciente e n o, de lembrar, transportar dormente, dentro de n s, menos uma forma de sentir do que de pensar sobre as coisas que vivemos Mais que Apari o, nesta obra que VF une habilmente o seu pensamento sua voz, apoiado talvez na autobiografia mas transpondo a para o universal, fazendo a s ntese de uma literatura profundamente nacional, inequivocamente pr pria de si Mais que fic o, uma prosa de ideias, de imagens n o imaginadas, de conceitos que se v em, se experienciam, que podem ser tocados Ler VF n o requer imagina o tanto como intelig ncia pede mem ria mais do que sonho Custa Mas vale a pena.
Neste momento, estou muito dividida quanto minha opini o sobre este livro.
Por um lado, apaixonei me pela escrita de Verg lio e senti me absorvida pela sua hist ria Por outro lado, sem d vida por causa da tem tica deste livro, n o consegui afei oar me hist ria, nem s suas personagens muito menos personagem principal, o Lopes, que, honestamente, achei irritante devido sua cega inoc ncia e car ter excessivamente pudico.
De qualquer forma, aconselharia este livro a quem ainda n o leu Verg lio, tal como eu ainda n o me tinha estreado na sua leitura, pois um bom exemplo de uma escrita encandatora portuguesa.
Sem d vida que irei ler mais livros deste autor.
O Despertar Para A Vida De Uma Crian A, Entre A Austeridade Da Casa Senhorial De D Estef Nia, A Sensualidade Da Sua Aldeia Natal E O Sil Ncio Das Paredes Do Semin Rio Um Jovem Seminarista DeAnos, Obrigado A Ir Para O Semin Rio E A Hist Ria Desenrola Se Em Torno Das Viv Ncia E Sentimentos Que O Jovem Seminarista Vai Experimentando Num Ambiente Negro, Triste, R Spido E Severo Do Semin Rio, O Jovem Descobre Se E Descobre O Mundo Que O Rodeia A Repress O Na Educa O, A Pobreza Da Sua Terra, As Desigualdades Sociais, O Desejo Do Seu Corpo, A Camaradagem, A Amizade, O Amor Escrita irrepreens vel, cap tulos breves, hist ria bela e comovente, maravilhosamente narrada Que mais se pode pedir ao ler se a obra de algu m pela primeira vez Muito feliz estou por me ter decido a comprar este pequeno livro, que guardo agora com especial carinho T o bem que sabe ver a nossa l ngua assim estimada, revestida de uma sublimidade que lhe t o pr pria e nica, materializando se em deleite puro, como se de uma can o por s n s ouvida se tratasse Deixo vos este pequeno trecho, na esperan a de que tamb m voc s se deixem encantar pela sensibilidade de Verg lio FerreiraO luar gelado entrava pelas grandes janelas, transfigurava tudo em apari es de espectros Eu descobria ent o, sentado aos p s da minha cama, o meu dem nio solit rio Mas j o n o temia nem quase reparava nele, t o habituado e quase desejoso da sua presen a eu estava Ali o esquecia, silencioso, com os olhos fosforescentes no halo verde da Lua E, tranquilo, soerguia me na cama, rodeado vastamente do lento resfolgar dos companheiros como de mortos que respirassem, e olhava atrav s do janel o a cerca emudecida, povoada de sombras, o ermo da mata que subia devagar pela colina Virg lio Ferreira um daqueles escritores que n o nos contam hist rias, fazem nos senti las precisamente o que acontece em Manh Submersa , o drama de um adolescente que cresce ao sabor de um destino que n o escolheu o de ser padre A narrativa sublimemente contada anos mais pelo pr prio Borralho, atrav s do seu livro de mem rias, e a habilidade que o escritor tem de nos fazer sentir a mesma dor que o protagonista sente gera uma ineg vel empatia entre personagem e leitor.
O livro pode muito bem ser encarado como as cr nicas de uma revolta, no qual, ao longo dos v rios anos que Borralho atravessa no austero e conservador Semin rio, o crescimento pessoal transporta consigo o crescimento de uma raiva interior contra toda uma realidade que lhe imposta um destino que lhe foi talhado, um of cio que nunca desejou, uma adolesc ncia feita de priva es, um Deus em que foi obrigado a acreditar Toda a hist ria uma luta interior, repleta de momentos fortes que dificilmente deixar o algu m indiferente.
Infelizmente daqueles livros sobre os quais n o f cil escrever sem que se revele alguma coisa do seu enredo, pelo que limito me a convidar quem nunca leu a n o deixar passar Manh Submersa sem d vida um marco incontorn vel da literatura portuguesa.
maravilhosa a capacidade de certos escritores em captar, de forma t o apurada e precisa, toda uma mentalidade, toda uma cultura vigentes em determinado contexto Essa realidade perscrutada atrav s do universo interno do personagem e, assim, a hist ria brota naturalmente a partir da colis o dos mundos Mais do que uma hist ria, superiormente contada, mais do que um conjunto de personagens profundos e de descri es magistrais, esta obra suplanta o neo realismo do Mestre Verg lio Ferreira e coloca se antes como uma obra prima do Existencialismo portugu s.
Peguei neste livro por acaso e foi uma surpresa incr vel sobre a solid o de um adolescente pobre de uma aldeia portuguesa que entra no primeiro ano do semin rio sem realmente desej lo L , torna se amigo de rapazes que tamb m n o querem l estar, pessoas que est o capazes de se suicidar para sa rem, pessoas que enfrentam os pais para se virem embora A corrup o por parte dos padres posta vista dos alunos e do leitor, deixando nos beira de um ataque de choro a cada p gina.
A viol ncia psicol gica e f sica n o dispensada A f do personagem principal parece inabal vel e s quando confrontado com a primeira quest o acerca da exist ncia de Deus, que lhe apresentada por outro personagem E se Deus n o existir , que o rapaz tem plena posse de si e da sua individualidade.
O leitor acompanha esta transforma o interna do mi do at desist ncia do semin rio sem que ele tenha qualquer medo ou culpa, possivelmente com a f debelada A maestria com que Verg lio Ferreira domina o vocabul rio portugu s incr vel, equipar vel a quando estamos a construir o nosso vocabul rio na escola prim ria Chegamos ao significado das palavras pelo seu sentido.


Verg lio Ferreira chegou minha vida para ficar, ao que parece Manh Submersa uma obra de extraordin ria profundidade bem mais do que se v superf cie e exige bem mais do que apenas uma leitura para ser minimamente compreendido Vai ser o objecto de estudo da minha disserta o de mestrado, por isso n o quero alongar me nesta exposi o Contudo, h coisas que t m de ser ditas.
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pt A dor o que se sente Nada mais Desisto definitivamente de me iludir com a minha for a de adulto sobre o peso de uma amargura infantil Exactamente porque toda a vida que tive sempre se me representa investida da import ncia que em cada momento teve Como se eu jamais tivesse envelhecido Exactamente porque s f til e ing nua a inf ncia dos outros quando se n o j crian aEm espa o de dias, leio o segundo livro de Verg lio Ferreira Surpreende me como, embora se perceba que s o escritos pela mesma pessoa, transportam o leitor ou a mim, pelo menos para um espa o, uma sensa o, totalmente diferente Manh Submersa n o det m a densidade amarela das ruas de vora do Apari o N o s o as personagens o mais marcante o o ambiente vivido por elas Em alguns momentos fez me recordar passagens do Jane Eyre a frieza real do mundo das crian as protagonistas, a tristeza, os dias infinitos Portanto, de certa maneira, a m goa de um per odo de vida perdido Neste caso a inf ncia e adolesc ncia perdidas.
H muito de Portugal neste livro Como o h tamb m no Apari o No Manh Submersa, h precisamente as manh s de inverno do inverno portugu s Em particular do interior Fui transportada para essas manh s geladas, mesmo quando no livro o autor descrevia as f rias de ver o O autor escreve em esp cie de di rio Achei curioso o facto de repetir v rias vezes a express o de modo que , o que assinala ainda mais essa ideia de escrita r pida, de quem est a contar alguma coisa, e n o est a fazer grande exerc cio de fic o A escrita de Verg lio Ferreira toda ela sublime Os termos que utiliza, alguns em desuso, mas n o datados A constru o de frases simples, diretas, sem grandes apetrechos Tudo isto d ao leitor, a mim, uma sensa o de leveza, de satisfa o estou na p gina 10, quando reparo j estou na 100 As p ginas voam e o tempo passa rapidamente f cil de compreender porque que o livro foi usado no p s 25 de Abril como forma de atacar a igreja Na realidade, n o gostaria de explanar muito sobre o tema agora, sob pena de parecer demasiado herege A faz lo teria que dizer que acredito que a educa o crist tem sido a maior maleita que assola as gera es de portugueses e que essas limita es religiosas impregnam o pensamento portugu s h s culos.
Resta me dizer que voltarei, nestes dias, biblioteca municipal, buscar outro do Verg lio manh submersa, de Verg lio Ferreira O meu exemplar perdeu a tinta, nas dobras da capa e da contracapa com a lombada, e nas dobras das badanas com a capa e contracapa um exemplar da Bertrand Editora, tal e qual o da imagem acima em cima o nome do autor a branco, em letras garrafais, sensivelmente a meio o t tulo da obra, a verde, em min sculas, ao fundo o log tipo e o nome da editora uma capa simples, e gasta.
Comprei o numa tarde estival de in cio de Outubro, num ano em que o Ver o se prolongou pelo Outono adentro Estava abandonado a um canto de uma montra de uma antiga livraria e papelaria que o dono mantinha aberta por voca o ou ocupa o J tinha sa do da tipografia onde fora a imprimir h tr s anos, e parece ter sa do j velho e cansado, com as p ginas mais amareladas que o que habitualmente o s o as das obras da colec o do autor no mesmo formato, editora, e tipografia talvez porque tivessem antevisto o quanto iriam ser folheadas, lidas, e relidas Ali se encontra, na estante entre outros, do mesmo autor, com outras cores preto, verde, laranja o nico romance que reli Ou talvez seja outra a verdade medida que avan ava na leitura, era o romance que me lia a mim E de cada vez que o reli, lia em mim facetas que at ent o desconhecia, pormenores a que nunca dera import ncia, pensamentos que antes n o ousara, sentimentos que n o imaginara Qui seja isto verdade em qualquer livro, em qualquer obra de arte, por m nenhum outro romance deixou t o vincadas as marcas da sua passagem T o n tidas De cada vez que Ant nio dos Santos Lopes toma o comboio na Castanheira, sou eu que subo da plataforma, para o degrau da carruagem E o destino que lhe talharam em casa de D Estef nia, pressinto o em mim E as suas humilha es, revela es, quest es e confus es, trespassam me o ser E sou engolido pelo casar o